Amazon, a livraria online que revolucionou o comércio na web

Do impresso – como um livro de Harry Potter físico, de papel – ao digital – o mesmo livro, porém digital, com várias possibilidades de ser lido, seja em um tablet, um celular, na tela do computador – este é o negócio da Amazon, uma livraria online, e que hoje vende vários objetos tangíveis, quanto intangíveis,  à distância de um clique.

O e-commerce surgiu nos anos 70, mas esse modelo de comércio se popularizou após o surgimento da internet, e esta só se tornou mundial a partir de 1995. Hoje, é comum que uma loja física, ou um prestador de serviços, tenha sua loja também online, e aqueles que ainda não a têm, já se organizam para ter, pois sabem que a tendência é que tudo esteja na internet, e quem não se atualiza fica para trás, perde clientes para a concorrência e por consequência: dinheiro.

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Site da Amazon Brasil (Captura de tela feita às 10:20 – 01/10/2015)

A Amazon não fez o mesmo caminho que a maioria das suas concorrentes, ela não começou como loja física, ela sequer tem loja física, apenas online, quando seu criador Jeffrey Bezos percebeu um novo modelo de negócio se formando nos anos 90. Ele conseguiu capital, parceria com distribuidores de livros e em 5 anos de fundação (começando em 94 e lançando o site em 95) já consegue seu primeiro bilhão de dólares e título de homem do ano pela revista Time em 99. Sucesso inegável.

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Jeffrey Bezos e o Kindle  (Google Imagens)

A Amazon se encaixa no modelo de comércio virtual da web 1.0, B2C – Business to consumer – ou seja, venda da empresa direto para o consumidor, esse formato foi o primeiro usado quando a internet começava a se consolidar:

A tendência predominante desta fase no contexto de modelos de negócios é a replicação das características dos modelos do mundo real, baseados na utilização da “virtualização física” da infraestrutura para venda de produtos tangíveis e certas categorias de serviços. Esta fase foi marcada por diversos tipos de comércio eletrônico (e-shops), internet banking e agências de viagens virtuais. (SIQUEIRA E CRISPIM, 2012)

Tempos depois do seu lançamento a Amazon deixa de ser apenas uma livraria virtual e começa a oferecer também CD’s, DVD’s e fitas de vídeo. Com o passar dos anos outros produtos e serviços são agregados ao site, sem esquecer da abordagem inovadora que era dada ao usuário, se comparado aos concorrentes, conquistando mais ainda o público.

A Amazon no Brasil

Em 6 de dezembro de 2012, a Amazon lança seu site de compras online no Brasil. Porém sua chegada não foi simples, ela teve problemas quando tentava negociar com as editoras. A meta inicial era negociar com 100 delas, mas conseguiu apenas 10 na época, além disto, o domínio amazon.com.br era de uma empresa paraense, e só o conseguiram após entrarem na justiça para obtê-lo.

Em 2014 a Amazon começa a venda de livros físicos, causando furor no mercado editorial, pois os preços dos livros físicos acabavam sendo mais baixos que os digitais, e isto acontece porque a empresa atualiza os preços de hora em hora, equiparando com outros sites do setor.

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Hoje a Amazon Brasil oferece e-books, livros, e o leitor de e-books Kindle, que foi lançado em 2007, acessórios para o Kindle, além de aplicativos gratuitos, plataforma para escritores publicarem seus livros e o Amazon Cloud Drive, espaço na nuvem para que o usuário guarde seus arquivos. (Google Imagens)

Muitos concorrentes não acham justa essa prática de preços muito baixos, consideram uma concorrência predatória. Não se sabe como a Amazon consegue diminuir tanto o preço dos livros, ela não divulga, apenas diz que quer “usar a tecnologia em prol do cliente”. O fato é que o consumidor no fim das contas vai para aquele que lhe oferece o melhor preço. E é isto que a Amazon está fazendo.

Economia criativa

Toda essa “guerra” entre lojas virtuais e físicas só mostra o quão a economia sofre e sofrerá mudanças, ela não pode ter modelos estáticos, pois cada contexto histórico apresenta características próprias e a economia também será afetada por estas.

A economia criativa por exemplo, conceito que surgiu em 1994, a partir do termo indústria criativa, traz a importância de trabalhar a originalidade, o trabalho colaborativo e a priorização de aspectos intangíveis, tanto na cultura, quanto na geração de valor. Esse conceito é formado a partir da globalização e do uso das mídias digitais, pois estas permitem que haja a junção da economia tradicional com a existência e vantagens que a tecnologia trouxe para o mundo, hoje extremamente conectado. Ou seja, a junção de mentes criativas, e que não têm mais o empecilho da distância física, acarreta na criação de aplicativos como o Uber, sites como Airbnb (site de rede social de aluguel de casas, apartamentos, cômodos, no mundo todo) as chamadas startups, trazendo uma nova configuração para as relações de trabalho e a economia de um modo geral.

Inteligência coletiva 

Se tratando de união de mentes criativas e e-commerce, nós temos a inteligência coletiva como motor para que o Social commerce , que em resumo é a junção do comércio com as mídias sociais, aconteça. A partir do momento em que seu site de compras disponibiliza espaço para comentários, avaliações e reviews ele é um Social commerce. Já a inteligência coletiva é a união de pessoas conectadas diante de um interesse, que podem criar uma coleção de informações (LEVY,1997).

 

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        (Google Imagens)

A Amazon é um bom exemplo de Social commerce, pois através dos seus clientes conectados ao Facebook , que enviam comentários, postam os livros, músicas e filmes favoritos, outros amigos destes colaboradores orgânicos fazem suas escolhas do que comprar na loja virtual baseando-se nessas avaliações.
No Twitter o consumidor consegue colocar, sem sair do site, produtos  da Amazon em seu carrinho. A Amazon mostra o quão é importante estar em todos os lugares, principalmente em sites de redes sociais, como o Twitter e o Facebook.

Todas as informações geradas pelas pessoas online são preciosas para empresas como a Amazon, pois elas atraem mais consumidores, e que dão mais credibilidade para a marca. Quem nunca comprou algo depois de ter lido comentários positivos sobre o produto e/ou empresa? Funciona!

Mas para o Social commerce, querer vender mais não significa querer mais lucro, necessariamente,  e sim ajudar as pessoas no momento da escolha do produto ou serviço. O modelo de negócio que só visa lucro, não se encaixa aqui, Jeffrey Bezos que o diga pois em 20 anos de fundação a Amazon teve aumento em suas receitas, mas lucro zero, ou menos que isso.

Prosumer 

Definido como aquele que o consumidor também é um produtor, termo primeiro mencionado por Alvin Toffler no livro Third Wave (Terceira Onda) em 1980 e depois por Williams e Tapscott no livro Wikinomics , o prosumer é o que mais encontramos hoje após surgimento da internet. Aquele consumidor que aceitava tudo que lhe era oferecido, seja um produto ou serviço, hoje dá lugar ao consumidor que está atento às mudanças, que pesquisa e que quer algo personalizado.

Um dos conceitos de prosumer, é quando o consumidor tem o poder de customizar aquele produto que gosta. Uma das empresas que mais dá atenção a este tipo de prosumer é a LEGO. Desde 1998 ela mantém o projeto LEGO Mindstorm, que é focado para ensinar a crianças sobre tecnologia. Já em 2006, ela desenvolveu o serviço onde, após um cadastro no site, os internautas podiam criar e montar peças de LEGOS virtuais, através do sistema LEGO Digital Designer. Os melhores eram escolhidos, produzidos e comercializados. O projeto se encerrou em 2012, mas ainda é possível criar no site e comprar as peças necessárias para montar o LEGO  criado.

Como mostrado no parágrafo sobre Social Commerce, os clientes da Amazon podem ser considerados prosumers, uma vez que eles participam comentando sobre os produtos, compartilhando resenhas de livros e filmes, avaliando com estrelas no site da empresa, ou seja eles também participam, mesmo que não internamente, do negócio.

Finalizando… 

A Amazon  é um ótimo exemplo de empresa que encontramos as convergências de mídias da 1ª e 2ª fase. Retomando o exemplo do início do texto, o livro do Harry Potter, hoje através da internet nós conseguimos ter acesso a um livro digital, sendo que antes só era possível obter o modelo físico (1ª fase – das mídias tradicionais para a internet), e na posse desse e-book nós podemos comentar sobre ele em diferentes portais, sites de redes sociais, fóruns, avaliá-lo no próprio site da Amazon (2ª fase – interligação de mídias).

A segunda fase da convergência permitiu inclusive que a informação se descentralizasse, se antes só teríamos acesso a uma resenha do livro do Harry Potter através de revistas, jornais, hoje nós mesmos podemos fazer nossa própria resenha e compartilhar em nosso perfil no Facebook.

A era da comunicação está aí,  e o poder –  a própria comunicação- está nas pontas dos nossos dedos. Você já o usa?  Que tal usar esse poder comentando nosso post? 😉

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Post produzido pelos alunos Alan Herculano e Rafaela Martins para a disciplina de Mídias Digitais, curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda- Centro Universitário Estácio da Bahia, tema: Amazon e o E-commerce  , o negócio de bens tangíveis e intangíveis e a convergência de mídia impressa e digital. Orientado pela docente Mônica Paz.

Referências:

LEVY, Pierre. Cibercultura (1997)

SIQUEIRA, Diana Luciene e CRISPIM, Feliciano Sergio. Modelos de negócio na era digital,2012. Disponível em: < http://www.revistaespacios.com/a12v33n07/12330721.html >. Acesso em 20 de set. 2015

http://www.rodrigodemetrio.com.br/oque-e-inteligencia-coletiva/

http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2006/05/amazon-livros-dot-com.html

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/11/1551983-chegada-da-amazon-ao-brasil-acirra-guerra-de-precos-de-livros.shtml

http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/10-exemplos-de-social-commerce/64779/

http://www.infomoney.com.br/carreira/emprego/noticia/3972623/chefes-extincao-conheca-historia-uma-empresa-sem-comandantes

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150715_amazon_20_anos_rb

https://mixcomsentido.wordpress.com/tag/prosumer/

https://pt.wikibooks.org/wiki/Prosumers/O_Prosumer

http://www.amazon.com.br

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologia_da_informa%C3%A7%C3%A3o

https://pt.wikipedia.org/wiki/Amazon.com

https://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio_eletr%C3%B4nico

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