A cauda longa – Prosumers e E-commerce

E-commerce quer dizer: Comércio eletrônico, modalidade pela qual se realiza transações financeiras por meio de dispositivos e plataformas eletrônicas, seja elas móveis ou desktops , inicialmente ele foi criado, basicamente, para a venda de CDs e livros, hoje com o grande avanço tecnológico, podem ser vendidos desde alimentos, perfumes, até iates e carros de luxo.

O e-commerce nasceu na década de 80, mas só após o surgimento da web ele ganhou força. Muito mais que um canal de vendas, é um meio de comercialização complementar ao mix de marketing das empresas. O e-commerce com a EDI (Electronic Data Interchange/ Intercâmbio Eletrônico de dados) e EFT (Electronic Funds Transfer/Transferência Eletrônica de Fundos) fez transferência de valores entre pessoas e empresa, mas foi com a internet que ele ganhou força e ficou disponível para todas as pessoas.

Com o passar dos anos, muitos avanços ocorreram fazendo com que essa ferramenta crescesse cada vez mais. Isso aconteceu por vários fatores, um deles é o crescente número de pessoas com acesso a internet, independente da classe social, além disso, através do e-commerce você pode pesquisar facilmente o produto que deseja sem a necessidade de locomoção, e, por estar disponível por 24 horas é acessível a qualquer momento, sem esquecer que apenas com um smartphone na mão você consegue fechar uma compra, sem muitas – ou sem nenhuma – dificuldade. 

Para os empresários o e-commerce é essencial para os seus negócios, já que tem um custo muito menor do que a loja física, além é claro, de possibilitar que pessoas do mundo inteiro tenham acesso ao seu produto ou serviço, ele oferece também a facilidade e velocidade nas transações. Outra vantagem é a dispensa de distribuidor, pois a venda é direta, além da queda de inadimplência, reconhecimento forte da marca e personalização dos serviços, atraindo assim cada vez mais o público junto a seu trabalho. 

Com o surgimento do e-commerce alguns sites viraram pioneiros nesse modelo de negócio, e é inevitável falar de e-commerce sem falar na empresa Amazon.com, uma empresa multinacional de comércio eletrônico dos Estados Unidos, que foi uma das poucas companhias com alguma relevância a vender produtos na Internet.

No Brasil a sua entrada foi complicada, tinha uma previsão inicial para começar em 1º de setembro de 2012, mas não conseguindo firmar acordo com as editoras além de problemas com a estrutura para depósito, só consegue entrar no ar a meia-noite do dia 06 de dezembro do mesmo ano. O visual do site segue o mesmo padrão da versão norte-americana da loja, mas com todos os textos escritos em português brasileiro, e como anunciado anteriormente, a Amazon Brasil trabalha apenas com livros digitais e dispositivos Kindle.

O livro “A Cauda Longa” do escritor Chris Anderson fala muito dessa convergência, ele explica  que massa do mercado migrou para o mercado de nicho ou digital,ele detalha várias influências sobre o consumidor e de que forma agir de acordo com essa revolução que é a tecnologia. No capitulo 5 do livro ele fala sobre a relação dos Novos consumidores (Pro-Am , que em português significa:Produtores Amadores)  e pede para que não  subestimemos a capacidade de um milhão de amadores. Ele começa descrevendo um grande marco histórico nos Estados Unidos em 1987, no qual eles tentavam desvendar  mistérios do universo – mais especificamente explosões que ocorrem na galáxia – em toda a descrição ele comenta sobre um famoso astrólogo (Albert Jones) de muita experiência que analisava um caso de explosão na galáxia, já o amador astrólogo Robert McNaught fotografou essa explosão em horas diferentes e assim confirmou a teoria da hora de Ian Shelton sobre a hora universal.

Foi assim que aconteceu uma das maiores descobertas astronômicas do século XX. Uma teoria básica sobre o funcionamento do universo foi confirmada graças a amadores na Nova Zelândia e na Austrália, a um amador que tentava virar profissional no Chile e a físicos profissionais nos Estados Unidos e no Japão.  A GarageBand da Apple, que vem de graça em todos os computadores Mac, cumprimenta o usuário com a sugestão “Grave seu próximo grande hit”, e fornece as ferramentas para fazer isso. Além disso, as câmeras de vídeo digitais e os softwares de edição (parte integrante do Windows e do sistema operacional dos Macs) estão colocando essas novas ferramentas nas mãos de todos os cineastas domésticos — algo antes reservado apenas para profissionais.

Hoje, milhões de pessoas lançam publicações diárias para um público que, no conjunto, é maior que o de qualquer veículo da grande mídia. Por sua vez, os blogs são consequência da democratização das ferramentas: o advento de softwares e de serviços simples e baratos que facilitam a tal ponto a editoração on-line que ela se torna acessível a todos. Essa tese já foi previamente dita por Karl Max. Ele sustentou em A ideologia alemã,  escrito entre 1845 e 1847, que o trabalho forçado, não espontâneo e assalariado seria superado pela atividade autônoma.

Não podemos falar de produtores de conteúdo sem citar o fenômeno Wikipedia que surgiu a partir do ano de 2001, ele foi desenvolvido a partir da ideia de criar uma enciclopédia de uma maneira totalmente nova na qual explorava a capacidade intelectual dos leitores. Em 2001 a ideia parecia absurda, mas 2005 esse empreendimento sem fins lucrativos converteu-se na maior enciclopédia do planeta. A Wikipedia, como o Google é a sabedoria coletiva de milhões de blogs, opera com base na lógica exótica da estatística probabilística, ou seja, se trata mais de probabilidade do que de certeza.

No capitulo oito do livro, Chris Anderson começa a discutir sobre a economia da cauda longa, a escassez,abundância e a morte da regra 80/20, regra essa que era a existente época de Marx e a questão da riqueza estava no ar. Foi descoberto um fato na Inglaterra no qual foi percebido que 20% da população detinha 80% da riqueza, essa teoria foi descoberto por Vilfredo Pareto (polímata italiano que se dedicava aos estudos de padrões de riqueza e renda do século XX). O que Pareto descobriu é que há uma relação matemática previsível nos padrões de riqueza em diferentes populações, algo que ele denominou de Lei dos Poucos Vitais.

Além de Pareto existiu o George Zipf (linguista de Harvard) com a teoria do 1/3 na qual defendia a tese de que poucas palavras são usadas com muita frequência, muitas, ou a maioria são usadas raramente. As leis de potência são única família de curvas que se encontra praticamente em qualquer observação, desde fenômenos biológicos até vendas de livros. A Cauda Longa é uma lei de potência, decepada com crueldade pelos gargalos de distribuição, como limitação de espaço nas prateleiras e nos canais disponíveis. Como a amplitude de uma lei de potência se aproxima de zero, mas nunca chega a alcançar esse ponto, à medida que a curva se estende até o infinito, ela é conhecida como curva de “cauda longa”, de onde extraí o título deste livro. No mercado de consumo, as leis de potência surgem quando se tem três condições: Variedade (há vários tipos diferente de coisas), Desigualdade (algumas apresentam certos atributos com mais intensidade do que outras) e Efeitos de rede como propaganda boca a boca e reputação, tendem a ampliar as diferenças em qualidade (como os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres). Para simplificar as distribuições de lei de potência ocorrem quando as coisas são diferentes, algumas são melhores que as outras, efeitos como reputação podem promover os itens bons e suprimir os itens maus, resultando no que Pareto denominava como “ desequilíbrios previsíveis” dos mercados, da cultura e da sociedade, levando a máxima de que : Sucesso chama sucesso. Palavras essas que nos rodeiam diariamente.

Com a economia distribuída desigual, percebemos a afunilamento do mercado, essas consequências inevitáveis dos custos tradicionais fazem com que as demandas vão para outros nichos, a Netflix por exemplo mudou a economia de oferta, fazendo enxergar  aquilo que as pessoas queriam ver, o mesmo se aplica a qualquer outro mercado de bens intangíveis, o E-commerce é muito forte nisso e o site Amazon.com é um ótimo exemplo.

A cauda longa tem o intuito de oferecer estímulos para não se dominar pela regra dos 80/20, mesmo que 20% dos produtos gerem 80% da receita, não é a razão para não oferecer os outros 80% dos produtos, nos mercados de cauda longa, pois os custos de carregamento de estoques são baixos, há incentivo para oferecer tudo, independente de qual seja o volume de vendas. Quanto mais empurrar as demandas para a Cauda melhor, assim evita a dependência por novos lançamentos, melhorando os substancialmente os lucros, pois existe espaço suficiente para manter os lançamentos antigos na prateleiras com o mesmo valor do novo, por isso que é tão importante as recomendações e os filtros, eles desenvolvem um papel muito relevante.

Com o ‘, o modelo econômico de Varejo, a propósito é o que faz a Netflix, adquire quantidade insuficiente de novos materiais, essa tal “indisponibilidade” irrita alguns clientes mas aumenta a sua rotatividade e assim preservando as suas margens. Os produtos da Cauda Longa talvez não respondam pela maior proporção das vendas, mas, como geralmente são mais baratos, podem gerar parcela mais do que proporcional dos lucros, desde que os custos de estocagem sejam mantidos perto de zero.

Um estudo realizado em 2006, realizado pela equipe do MIT, liderada por Erik Brynjolfsson (responsável por um dos primeiros trabalhos sobre o estoque de cauda longa da Amazon), mostra uma empresa que tem uma loja física e on-line e ambas oferecendo exatamente os mesmos estoques e preços, porém no on-line existem os recursos de pesquisas, facilidade de navegação entre os produtos e variedades. O resultado dessa pesquisa foi que mesmo aqueles que compravam presencialmente e ou virtualmente, tendiam a comprar mais abaixo na Cauda Longa quando estavam on-line, chegando perto da teoria dos 80/20.

A depender do setor, a Cauda longa pode aumentar a demanda ou apenas remanejar ela. O efeito básico da Cauda Longa é deslocar nossa preferência para os nichos, mas, á medida que ficamos mais satisfeitos com o que descobrimos, é provável que aumentemos nosso consumo. E nem sempre pagaremos mais pelo privilégio. Geralmente existe a dúvida com relação aos preços, eles aumentam ou vão diminuir de acordo com as demandas? Depende muito do produto, isso parte do pré suposto de mercado de desejos e necessidades.

Na mídia on-line como para qualquer outra mídia, o que predomina é o “novo”, o jornal de hoje é um embrulho de amanhã e as matérias de destaque em sites despencam cada vez mais, o que parece é que o Google está fazendo a reversão desses conceitos, impulsionando cada vez mais os sites com suas ferramentas, ele não chega a ignorar o tempo mas mede a sua relevância sobretudo base nos links remetentes, isto é, aqueles que remetem a determinado site,não em função da novidade. Assim, ao pesquisar um termo, é provável que se encontre a “melhor página”, não a “mais nova”. E como as páginas mais antigas têm mais tempo para atrair links remetentes, elas às vezes desfrutam de vantagem em relação às mais antigas. O resultado é que a costumeira queda de popularidade dos novos lançamentos em blogs e das páginas de notícias on-line e hoje muito mais gradual do que no passado, graças a intensidade do tráfego proveniente de pesquisas. O Google sob certo sentido atua como máquina do tempo, e estamos começando a medir o efeito daí decorrente sobre as editoras, a propaganda e a atenção. De modo mais amplo, Cauda Longa tem a ver com abundância. Abundância de espaço nas prateleiras, abundância na distribuição, abundância nas escolhas.

Resenha produzida por Alan Herculano e Rafaela Martins, para a disciplina de Mídias Digitais, curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda- Centro Universitário Estácio da Bahia, livro: A Cauda Longa – Chris Anderson. Orientado pela docente Mônica Paz.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio_eletr%C3%B4nico

http://ecommercenews.com.br/o-que-e-e-commerce

http://www.e-smart.com.br/o-que-e-e-commerce/

http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2012/09/amazon-no-brasil-o-que-ganhamos-com-isso.html

http://ecommercenews.com.br/noticias/pesquisas-noticias/amazon-com-e-a-empresa-mais-conceituada-dos-estados-unidos

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