A revolução digital e o inevitável condicionamento do jornalismo as novas tecnologias

Por: Daniela Alencar, Quelli Carvalho, Nathalia Souza e Vanessa Fontes

By Daniela Alencar Fotografia
By Daniela Alencar Fotografia

“Criar meu web site/ fazer minha home-page/ com quantos gigabytes se faz uma jangada/ um barco que veleje”- assim começa a musica “Pela Internet”, do cantor Gilberto Gil. Nesse trecho da canção, Gil faz uma clara referência à realidade da sociedade atual, em que os hábitos trazidos pela revolução tecnológica da informação estão cada vez mais impregnados no cotidiano das pessoas, seja ao conferir um email, curtir a postagem de um amigo no Facebook, oferecer um bom dia no grupo da família pelo WhatsApp ou conferir as novidades em um portal de notícias online. No jornalismo, a revolução tecnológica operou mudanças significativas, muitas delas para o bem da profissão, outras nem tanto.

Repórter do Correio da Bahia há 17 anos, a jornalista Carmen Vasconcelos presenciou o período de adaptação da categoria profissional às novas ferramentas e metodologias oferecidas pela revolução digital. Carmen ressaltou que foi um processo paulatino e nada simples, “quando as redações começaram a trabalhar com computador no lugar da máquina de escrever, alguns colegas tiveram muita dificuldade em se adaptar”. Ela falou ainda que o maior diferencial ocorrido está no relacionamento entre o jornalista e o púbico, pois antes essa interação era mais distante e feita principalmente através de cartas, mas a tecnologia mudou esse quadro e permitiu uma maior aproximação.

Manuel Castells, em seu livro “A sociedade em rede” (pag. 109), afirma que de acordo com Mulgan (1991): “As redes são criadas não apenas para comunicar, mas para ganhar posições, para melhorar a comunicação”. Na página 116 do livro “Memória da imprensa contemporânea da Bahia”, desenvolvido por Sergio Mattos, o jornalista Florisvaldo Mattos afirma que a tecnologia abonou a comunicação com acessibilidade aos conteúdos, tornando possível um produto mais bem acabado pela velocidade de transmissão e rapidez de manejo.

Há quem defenda que as mudanças agregadas pelas tecnologias fizeram as matérias jornalísticas perder em qualidade, pois o tempo se tornou um benefício cada vez mais escasso, enquanto a busca incansável pela rapidez na divulgação dos fatos se acentuou. De fato, é possível perceber que a cada dia que passa as mutações nos métodos de apuração e confecção da notícia, seja dentro ou fora das redações, se tornou uma realidade constante.

A página 60 do livro “Memória da imprensa contemporânea da Bahia” expõe a opinião do jornalista Carlos Navarro a respeito do assunto: “no inicio dos anos 70 falava-se muito da aldeia global, mas não havia os avanços de hoje. As pessoas tinham mais tempo, então se fazia um jornal no qual era possível escrever grandes matérias, reportagens de página inteira. Com o advento das novas tecnologias, o tamanho das matérias e os espaços foram reduzidos, assim o jornal passou a ser uma coisa apressada”, proferiu Navarro. Essa realidade se deve a exigência de grande parte do público, que com a correria do dia a dia não dispõe de paciência e tempo para ler notícias longas, especialmente por meio digital.

A revolução do TI ainda extinguiu do jornalismo algumas funções antes fundamentais, como o digitador, o revisor, o chefe de reportagem, entre outros. As exigências para o desempenho apropriado do jornalismo também sofreram fortes modificações. Sobre isso Marcondes Filho ponderou que, o bom jornalista não é mais aquele que tem mais conhecimento ou que escreve melhor, mas sim o que consegue atender as requisições da redação em tempo hábil. (MARCONDES FILHO, 2002, p. 36)

Contudo, entende-se que no mundo em que o “fast” virou praticamente uma filosofia de vida e o tempo um artigo de luxo, foi inevitável que os veículos de informação e principalmente os jornalistas, que são os artesãos da informação, tivessem que se adequar aos avanços oferecidos pela revolução tecnológica. Assim, fica para os profissionais da comunicação a missão de utilizar as inovações tecnológicas para produzir conteúdos interessan2tes, mas com deadline cada vez mais curto.


Uma forma interessante de olhar a influência dos adventos tecnológicos no jornalismo é meditar a respeito da teoria de Melvin Kranzberg: “A primeira lei de Kranzberg diz: A tecnologia não é nem boa, nem ruim e também não é neutra”. (A sociedade em rede – Manuel Castells)

Quelli Carvalho e Vanessa Fontes:

Alunas do 5° semestre do curso de Comunicação Social em Jornalismo do Centro Universitário da Bahia Estácio/FIB.

Daniela Alencar e Nathalia Souza:

Alunas do 5° semestre do curso de Comunicação Social em Publicidade do Centro Universitário da Bahia Estácio/FIB.

Referências Bibliográficas

Livros:

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede – A Era da Informação. 1996. 1ª Edição. Volume 01.

MATTOS, Sergio. Memória da Imprensa Contemporânea da Bahia. 2008. 1ª Edição. Volume Único.

Sites:

VAGALUME. Pela Internet, Gilberto Gil. Disponível em: http://www.vagalume.com.br/gilberto-gil/pela-internet.html. Acessado em: 28 de setembro.

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